Comparar venenos parece simples, mas não é. Para fazer isso de forma justa, os cientistas usam a DL50: a dose capaz de matar metade dos animais de laboratório testados. Quanto menor o número, mais potente o veneno. O detalhe é que o resultado muda conforme a forma de aplicação, por isso só vale comparar valores medidos pelo mesmo método.
O estudo de referência
Em 1979, os pesquisadores australianos Broad, Sutherland e Coulter mediram o veneno de 25 serpentes injetando-o sob a pele de camundongos. É até hoje a referência mais citada. Pelo critério desse estudo, as dez mais tóxicas são:
- Taipan-do-interior: 0,025 mg/kg
- Cobra-marrom-oriental: 0,053
- Taipan-costeira: 0,099
- Cobra-tigre: 0,118
- Serpente-marinha-de-bico: 0,164
- Mamba-negra: 0,32
- Víbora-da-morte-comum: 0,4
- Gwardar: 0,473
- Cabeça-de-cobre-australiana: 0,56
- Naja-indiana: 0,565
Listas populares que colocam uma serpente marinha em primeiro lugar costumam misturar vias de injeção diferentes, o que distorce a comparação.
A campeã que quase não morde
A taipan-do-interior vive nas planícies semiáridas do centro-leste australiano, mede em média 1,8 metro e escurece no inverno para absorver o calor do sol. É tímida e vive longe das pessoas: a maioria das picadas confirmadas aconteceu com pesquisadores e tratadores. Desde que surgiu o soro específico, nenhuma morte foi atribuída com certeza a ela.