Em julho de 2024, num antigo leito de rio chamado Neretva Vallis, o rover Perseverance parou diante de uma rocha em forma de ponta de flecha, com cerca de um metro de comprimento. A equipe a batizou de Cheyava Falls. Na superfície, dezenas de manchas claras de cerca de um milímetro, cada uma contornada por um anel escuro, lembravam a pele de um leopardo.
O que os instrumentos encontraram
Dois instrumentos no braço do robô examinaram a pedra. O PIXL mapeia os elementos químicos com raios X; o SHERLOC procura moléculas orgânicas com luz ultravioleta. Juntos, encontraram carbono orgânico, enxofre, ferro oxidado e fósforo. Nas bordas escuras das manchas apareceram dois minerais: vivianita, um fosfato de ferro, e greigita, um sulfeto de ferro.
Na Terra, essa combinação aparece com frequência em sedimentos onde micróbios decompõem matéria orgânica e, nesse processo, transformam o ferro e o enxofre ao redor.
Por que ainda não é prova
Os mesmos minerais podem surgir sem vida, com calor intenso ou em ambiente ácido. As rochas da formação Bright Angel não mostram sinais de nenhuma dessas condições, o que torna a explicação sem vida menos provável, mas não a elimina. Por isso o estudo, publicado na revista Nature em setembro de 2025, usa o termo bioassinatura potencial: um indício que pode ter origem biológica, mas que ainda precisa de mais dados.
A amostra da rocha, chamada Sapphire Canyon, está guardada num tubo a bordo do rover. A confirmação depende de laboratórios na Terra.