Há mais de 3,5 bilhões de anos, Marte tinha rios e lagos. Um deles enchia a cratera Jezero, onde hoje trabalha o rover Perseverance. Mas a água líquida precisa de uma atmosfera espessa para não evaporar nem congelar, e foi exatamente isso que o planeta perdeu.
O vento que arranca o ar
A sonda MAVEN, da NASA, estuda a alta atmosfera marciana desde 2014. Seus dados indicam que o vento solar, o fluxo de partículas que sai do Sol, e a radiação foram retirando o gás do planeta ao longo de bilhões de anos. Pela proporção de argônio, os cientistas estimam que cerca de 65% do que já existiu na atmosfera escapou para o espaço.
A Terra é protegida por um campo magnético global, que desvia boa parte dessas partículas. Marte também teve um, mas ele se apagou cedo, quando o interior do planeta esfriou. Sem esse escudo, o vento solar passou a atingir a atmosfera diretamente.
Um processo ainda em curso
Em 2025, a MAVEN observou diretamente um dos mecanismos dessa perda, chamado sputtering: íons pesados atingem a alta atmosfera e “espirram” átomos neutros para o espaço. A taxa medida foi cerca de quatro vezes maior que a prevista pelos modelos, e aumenta durante tempestades solares.
O resultado ajuda a entender por que um planeta que já foi úmido virou o deserto gelado que vemos hoje.