Até poucos dias atrás, para a sonda europeia Hera, o sistema de asteroides Didymos era apenas um ponto de luz. Na noite de 18 de outubro de 2026, a 1.280 quilômetros do alvo, a Câmera de Enquadramento de Asteroides da missão conseguiu separar esse ponto em dois objetos: o asteroide Didymos e sua pequena lua, Dimorphos. A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou a imagem em 27 de outubro.
Um alvo atingido de propósito
Dimorphos não é uma lua qualquer. Em 26 de setembro de 2022, a sonda DART, da NASA, colidiu com ela a cerca de 6,1 quilômetros por segundo. Foi o primeiro teste de defesa planetária da história: a ideia era verificar se um impacto consegue mudar a trajetória de um asteroide. Funcionou. Semanas depois, a NASA confirmou que a colisão havia encurtado em 32 minutos o tempo que Dimorphos leva para dar uma volta em torno de Didymos; medições posteriores, citadas hoje pela ESA, apontam cerca de 33 minutos.
O par não representa nenhum risco para a Terra. Didymos tem cerca de 780 metros de diâmetro; Dimorphos, cerca de 151 metros, mais ou menos o tamanho da Grande Pirâmide de Gizé. Na imagem da Hera, a lua ainda ocupa só um pixel.
A investigação do local do impacto
A Hera foi lançada em 7 de outubro de 2024 justamente para fazer o que a DART não podia: examinar o resultado da colisão de perto. Nos próximos meses, a sonda vai medir a massa, a estrutura e a composição de Dimorphos e procurar a cratera deixada pelo impacto. Ela também vai liberar dois pequenos satélites do tamanho de uma caixa de sapatos para estudos ainda mais próximos.
Segundo a ESA, imagens detalhadas de Dimorphos devem ser divulgadas em 25 de novembro. Com elas, os cientistas esperam transformar o experimento da DART numa técnica de defesa planetária bem compreendida e repetível.